A Assojaf-RS realizou, nesta quinta-feira (26), um evento especial em comemoração ao Dia Nacional do Oficial de Justiça, reunindo representantes da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho em um encontro inédito no Rio Grande do Sul. Esta foi a primeira atividade com caráter interinstitucional unindo os dois ramos do Judiciário, além de ser a primeira celebração pelo 25 de março promovida nos regionais do estado.
Com foco no debate sobre saúde mental e identidade profissional, o evento destacou a importância do cuidado com os Oficiais de Justiça diante das especificidades e desafios da função.
A mesa de abertura contou com a presença da Diretora do Foro da JFRS, Dra. Ingrid Schroder Sliwka; da Corregedora-Regional do TRT-4, Desembargadora Maria Madalena Telesca; do presidente da Assojaf-RS, Paulo Gustavo H. Barroso Júnior; do Diretor do Foro Trabalhista de Porto Alegre, Dr. Luiz Antônio Colussi, além do Juiz Federal Substituto Dr. Tiago Scherer, Coordenador da CEMPA; da vice-presidente da Fenassoaf, Fabiana Cherubini e o advogado da Assojaf, Dr. Luiz Gustavo Capitani.
Em sua fala, o presidente da Associação do Rio Grande do Sul, Paulo Gustavo, ressaltou o significado do evento como um gesto de reconhecimento institucional aos Oficiais de Justiça, que atuam diariamente “na rua e sozinhos, materializando a justiça proferida por magistrados, em um ambiente diverso, inseguro e não controlado”.
Ele destacou, ainda, que a atuação desses profissionais exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade social e responsabilidade pública, diante do impacto direto das decisões judiciais na vida das pessoas. Segundo PG, os Oficiais são agentes públicos vocacionados, que carregam a credibilidade da Justiça brasileira em cada diligência.
O presidente da Assojaf-RS também enfatizou o papel fundamental da entidade associativa na representação da categoria, afirmando que a Assojaf-RS é “o maior patrimônio” dos Oficiais de Justiça no estado, sendo essencial para dar visibilidade às demandas e promover melhores condições de trabalho e segurança.
Ao abordar o tema central do evento, destacou que o foco atual é o cuidado com a saúde mental dos Oficiais, reforçando o compromisso da Associação com ações voltadas ao bem-estar da categoria. “Cuidar de quem faz a Justiça chegar ao destino final é o nosso compromisso”, encerrou.
Pela Fenassojaf, Fabiana Cherubini destacou a relevância da iniciativa e a importância da integração institucional. “A Fenassojaf parabeniza e saúda a Assojaf-RS por essa iniciativa que, esperamos, seja a primeira de muitas. Foi um momento muito importante, especialmente para tratar de temas sensíveis como a saúde mental, além de proporcionar o reencontro e a integração presencial entre Oficiais de Justiça do Judiciário Federal no Rio Grande do Sul.”
Palestra aborda impactos do trabalho na saúde mental

A programação contou com a palestra “Trabalho, Saúde Mental e Identidade Profissional do Oficial de Justiça: Evidências de Pesquisa no Rio Grande do Sul”, ministrada pela psicóloga e assessora de saúde mental da Assojaf-RS, Carine Peixoto, com a mediação de Caroline de Oliveira Bertolino.
Durante a exposição, Carine apresentou resultados de pesquisas realizadas com Oficiais de Justiça no estado, destacando como o trabalho impacta diretamente a saúde mental e a construção da identidade profissional desses servidores.
Entre os principais pontos abordados, ficou evidenciado que a atividade do Oficial de Justiça ocorre em contextos de conflito, imprevisibilidade e, muitas vezes, de forma solitária, fatores que contribuem para o desgaste emocional.
A palestra também destacou que o trabalho pode ser fonte tanto de prazer quanto de sofrimento psíquico, especialmente diante de situações como excesso de responsabilidade, falta de reconhecimento, exposição a riscos e conflitos éticos.
Outro aspecto relevante foi a construção da identidade profissional, que se dá a partir do reconhecimento social, do sentimento de pertencimento e das experiências vividas no exercício da função. Nesse contexto, o Oficial de Justiça atua como executor da lei, mediador de conflitos e representante do Estado, vivenciando tensões constantes entre autonomia e isolamento, autoridade e vulnerabilidade.
Além disso, a pesquisadora apontou evidências de estresse ocupacional, sobrecarga, sensação de abandono institucional e ocorrência de transtornos como ansiedade, depressão e burnout entre os profissionais, reforçando a necessidade de políticas de cuidado e apoio coletivo.
O evento marcou um importante avanço na integração institucional e na valorização dos Oficiais no Rio Grande do Sul, ao promover um espaço qualificado de diálogo sobre os desafios contemporâneos da profissão.
A Assojaf-RS segue com o compromisso de promover ações que fortaleçam a identidade profissional e garantam melhores condições de trabalho e saúde para os Oficiais de Justiça em todo o estado.
Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo